Papa diz aos jovens que a unidade é a chave para mudar o mundo

Por Anthony Barich

Um oceano de velas cobriu o hipódromo de Randwick com mais de 235 mil peregrinos da Jornada Mundial da Juventude ouvindo a mensagem de Bento XVI sobre a importância da unidade e reconciliação.

Os peregrinos começaram a chegar antes do meio-dia de sábado em Randwick, que tem a capacidade para 300 mil pessoas. Algumas horas depois, não se podia ver mais a grama no local onde os jovens estavam, ajoelhados, sentados e deitados em seus sacos de dormir, mantas e travesseiros.

Como os jovens teriam que esperar a chegada do Papa, marcada para as 19h, aproveitaram para contemplar o SMS diário da JMJ com uma mensagem do Papa: «Caro amigo, você deve ser santo e missionário: nunca separe a santidade da missão – BXVI».
O Santo Padre chegou ao local um pouco antes da hora apontada, apesar de ter acrescentado à sua agenda uma visita à Casa de S. José em Randwick, das Pequenas Irmãs dos Pobres.

O Papa encontrou-se com o cardeal Edward Bede Calncy, arcebispo emérito de Sydney, e Rosemarie Goldie, com 92 anos, sub-secretária do Pontifício Conselho para os Leigos.

Das trevas para a luz

A vigília de oração começou com o hipódromo no escuro, gradualmente iluminado por tochas trazidas por dançarinos, representando a abertura ao Espírito Santo.

A cruz e a bandeira da Jornada Mundial da Juventude foram posicionadas no palco antes da chegada do Papa, que entrou acompanhado por 12 peregrinos enquanto a assembléia cantava o hino «Our Lady of the Southern Cross».

Uma mulher aborígene acendeu as velas levadas pelos 12 jovens, que, por sua vez, acenderam as velas levadas pela assembléia e pelos bispos. Sete jovens então invocaram o Espírito Santo pela intercessão dos patronos da JMJ.

Os jovens que estavam longe do palco puderam acompanhar os acontecimentos através de 35 telas espalhadas no local. As arquibancadas não foram usadas para a vigília, mas devem ficar lotadas para a missa de encerramento nesse Domingo.

Testemunhas

Bento XVI falou aos jovens sobre como se tornar testemunhas, e falou da importância de uma tarefa como essa: «Já sabeis que o nosso testemunho cristão é oferecido a um mundo que, sob muitos aspectos, é frágil.

A unidade, disse o Papa, é a chave para mudar o mundo.

«A unidade e a reconciliação não se podem alcançar apenas com os nossos esforços. Deus fez-nos uns para os outros e, somente em Deus e na sua Igreja, podemos encontrar aquela unidade que procuramos», explicou.

O Pontífice, que antes alertou sobre a «ditadura do relativismo», falou aos peregrinos que ela pode dificultar sua capacidade para o bem, alcançada pela unidade.

«Por sua natureza, o relativismo não consegue ver o quadro inteiro. Ignora aqueles mesmos princípios que nos tornam capazes de viver e crescer na unidade, na ordem e na harmonia» – disse o Papa –. «A unidade pertence à essência da Igreja; é um dom que devemos agradecer e amar».

Bento XVI encorajou os jovens a cultivar a unidade e «resistir a toda a tentação de nos irmos embora. Porque é exatamente a amplitude, a perspectiva larga da nossa fé – firme e simultaneamente aberta, consistente e ao mesmo tempo dinâmica, verdadeira e no entanto propensa sempre a um conhecimento mais profundo – que podemos oferecer ao nosso mundo».

Ele perguntou, «Amados jovens, porventura não foi por causa da vossa fé que amigos em dificuldade ou à procura de um sentido para a sua vida vieram falar convosco?»

Concluindo seu discurso, 24 catecúmenos foram apresentados ao Santo Padre, e receberão o sacramento da confirmação do Papa na missa de encerramento no domingo.

Uma vez que o Papa tinha partido, os peregrinos recitaram um rosário internacional.

Tendas de Adoração ficavam constantemente lotadas toda a noite enquanto os jovens continuam a aguardar em vigília para a Missa com o Santo Padre. Quatro tendas foram montadas prócimas a Randwick, comandadas pelos Missionários da Caridade, a Comunidade Emmanuel, o Movimento de Schoenstatt e o movimento apostólico Yoth 2000.

Sub as estrelas

Quem não estava rezando ou recebendo o sacramento da reconciliação se abrigava em seus cobertores e se aconchegavam em suas barracas para descansar um pouco antes do final do evento.

Rellie Irung, com 20 anos, de Papua Nova Guiné, disse a ZENIT que estava muito ansiosa por receber os dons do Espírito Santo e que o frio não a incomodava.

«Nós não pensamos no frio, porque estamos felizes em receber o Espírito Santo», disse Rellie. «É muito especial para nós nos unirmos com muitas pessoas ao redor do mundo para compartilhar nossa fé; mas, o mais importante, não estamos aqui para encontrar o Papa e receber sua mensagem, então podemos ser testemunhas quando voltarmos para nosso país».

Os jovens australianos Audrey Echevarria, Ellen McFarlane e Daniel Little disseram que gastaram o tempo ouvindo histórias de luta de jovens católicos ao redor do mundo.

«O fato de que muitas pessoas tenham sacrificado muito e viajado tão longe realmente nos fascina», afirmou Ellen McFarlane. «É importante para jovens australianos que nós tenhamos um senso de unidade em sua fé».

«Soubemos disso toda nossa vida, mas agora nós temos uma clara idéia do que a natureza universal da fé Católica é, e agora isso solidificou nossa fé», disse Little.

«Existe grande hostilidade em relação ao cristianismo na Austrália, especialmente em Sydney, mas sabendo que nem todos odeiam o Catolicismo nos dá coragem de poder falar sobre nossa fé em público», disse Audrey.

«Ser Católico exige muita coragem», ela acrescenta. «Isto significa que você deve fazer uma escolha por si mesmo sobre quando você quer viver sua vida, e esse evento nos ajuda a fazer isso».

Fonte: Zenit. SIDNEY. 19 de julho de 2008. ZP080719. www.zenit.org

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"Meu Deus e meu Tudo". S. Francisco de Assis