Oração, fonte de beleza e amor
Apresentada em Roma a Enciclopédia da Oração

Foi apresentada em 19 de fevereiro, na Universidade Pontifícia Lateranense de Roma, a «Enciclopédia da Oração», publicada pela Livraria Editora Vaticana (LEV).

Segundo os autores, C. Rossini e P. Sciadini, em colaboração com L. Borriello, E. Caruana e M.R. Del Genio, «a oração é na religião o que o pensamento é na filosofia. O sentido religioso ora como o órgão do pensamento pensa», como já sustenta o poeta alemão Friedrich Novalis.

A obra se inscreve em continuidade com o Dicionário de Mística e do Novo dicionário de Espiritualidade que a LEV publicou respectivamente em 1998 e 2003.

Partindo da Bíblia, percorrendo os séculos e passando da história às diversas áreas geográficas, a obra procura interpretar o colóquio dos homens com Deus.

No prólogo, o cardeal Georges Cottier op, teólogo emérito da Casa Pontifícia, recorda a crítica à oração realizada pelo filósofo Emmanuel Kant, quem considerava «inútil e arrogante a pretensão de obter de Deus a renúncia ao plano de sua sabedoria em favor de um efêmero benefício nosso».

Pelo contrário, no catecismo do Santo Cura d'Ars, sustenta-se que «esta é a maravilhosa tarefa do homem: orar e amar. Se vós orais e amais, esta é a felicidade do homem sobre a terra...».

Segundo o cardeal Cottier, «nossa idéia da oração depende do conhecimento que temos de Deus. Também e como conseqüência, reflete uma concepção antropológica».

Para o purpurado, «a oração é a respiração vital da alma, na qual se expressa nossa identidade humana e cristã».

Desde a Novo Millennio Ineunte até a recente exortação apostólica Sacramentum caritatis, afirma o cardeal, o Magistério recente, com insistência, «sublinhou a centralidade da oração na vida do povo de Deus».

E Bento XVI, em sua primeira encíclica, Deus caritas est, «confirmou a centralidade da oração na vida cristã»; também no discurso aos membros da Comissão Teológica Internacional (1.12.05) sublinhou que «só com a oração e a contemplação se pode adquirir a docilidade à ação do Espírito Santo».

«A exigência da oração – explica o cardeal Cottier – brota da própria natureza humana, enquanto o homem, de maneira mais ou menos clara e explícita, é consciente de sua condição de criatura e de sua dependência de Deus, fonte de todo bem.»

«Também – precisa o purpurado – a oração encontra na beleza seu ambiente natural. Ela mesma é fonte de beleza. Entre a arte e a oração existe uma singular afinidade.»

«Uma cultura na qual não há espaço para a oração se converte ela mesma em um deserto espiritual, um lugar de vulgaridade e violência», acrescenta.

Em conclusão, o cardeal Cottier afirma que também por este motivo «além de sua pertença propriamente religiosa, a Enciclopédia da Oração é uma contribuição de grande valor à cultura. O auspício é que chegue a ser para muitos uma companhia de vida».
Por Antonio Gaspari

Fonte: ZENIT. Roma. 21/02/ 2008. ZP082102. www.zenit.org         

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